JURA EM PROSA E VERSO

MAÇONARIA

 

O APRENDIZ MAÇOM

Autoria desconhecida

No antigo Egito, séculos antes de Cristo, diziam os sacerdotes ao Candidato que tivesse passado pelas duras provas das viagens e se tornado Aprendiz: "Tu és a Luz! Deixa a Luz brilhar!" Por meio desse ensinamento, que se diz ser de Hermes Trismegisto, em épocas tão remotas que se perdem nas brumas dos tempos e da memória conforme nos ensina a Maçonaria Mística nas palavras de C. Leadbeater, entendia-se que o Homem subtraido do mundo das trevas espirituais e purificado pela água e pelo fogo, encontrava-se num plano onde deveria expressar a Luz do Ente Supremo da qual ele, Aprendiz, era um veículo tal qual como fora Hermes.

E qual deve ser o trabalho do Aprendiz, senão o de aprender com os Mestres a dar seus passos regulares na senda que conduz à Luz do Supremo Arquiteto dos Mundos, ao plano espiritual onde está construído o mais perfeito de todos os Templos?

Assim, à medida em que o Aprendiz vai ampliando seus conhecimentos, fortalecendo-se com a convivência fraterna e os trabalhos da Loja, vão se revelando a ele o Concreto oculto pelo subjetivo; a Verdade oculta pelo Simbolismo; e, à semelhança de Saulo de Tarso na estrada de Damasco, caem-se-lhe dos olhos as escamas que o impedem de contemplar a Luz da Verdade e do Conhecimento, por onde se pode chegar à chave da verdadeira vida, anseio de todo Maçom fiel, porém acessível somente aos que conseguem alijar de si todo pensamento que não esteja voltado unicamente para a justa e perfeita união com a Vontade do G:.A:.D:.U:. e, por essa mesma Vontade, com toda a Fraternidade Universal.

Tal como a obra reflete seu construtor, assim deve o Aprendiz refletir as lições de seus Mestres, as quais tem que buscar com o ardor de um peregrino.

Buda - O Iluminado - há dezenas de séculos, disse a um discípulo que lhe pedia a síntese de toda a sua sabedoria em apenas um verso: "Cessa de praticar o mal; Aprende a praticar o Bem; Purifica teu coração. Tal é a religião dos Iluminados!" Esta, também, deve ser a procura do Aprendiz, mesmo sabendo que a verdadeira compreensão entre as criaturas humanas só será plenamente atingida quando se elevarem em definitivo aos planos mais puros do espírito, além da carne e da matéria imperfeitas.

O reflexo do G:.A:.D:.U:. deverá estar sempre em todo Aprendiz, imagem e semelhança Dele e de seu Verbo materializado. Essa imagem é uma expressão ou continuação do Grande Arquiteto pois Ele é a Luz que transporta a imagem e enquanto oAprendiz for capaz de receber e transmitir essa Luz, será sempre parte consubstancial dela e se identificará plenamente com o Criador.

O grande pensador Emerson, em seu Ensaio sobre a Super-Alma diz: "Não há na Alma um limite ou vale onde Deus - a Causa - cesse e o Homem - o Efeito - comece!"

Assim. é fundamental, inclusive para o maior fortalecimento da Fraternidade Maçônica, que o Aprendiz empreenda todos os esforços no sentido de ser cada vez mais capaz de receber e refletir a Luz dos planos superiores onde o Espírito Criador continuamente deixa correr seu eterno fluxo ordenador. Desses planos veio o Homem e de volta para ele o impulsiona seu espírito, numa gradação sucessiva que o devolva ao seu ponto de origem mais enriquecido com as experiências acumuladas durante o processo, mais puro e incontaminado das misérias deste mundo imperfeito.

Ao longo de sua jornada maçônica terrena, o Aprendiz deve cristalizar em si e em suas obras a certeza de que sua vida e todas as vidas são fundamentalmente uma só e que ninguém vive para si apenas. Todo Homem é um ser em relação, feito para os demais e dependente dos demais e jamais será Humano senão em conjunto.

É preciso que, por etapas sucessivas e graduais o verdadeiro Aprendiz, aquele em quem o espírito maçônico atingiu o nível do sacramental, se aperceba do mundo material; depois, do mundo da consciência para poder, finalmente, elevar-se até o conhecimento de seu verdadeiro ser. Ele deve ser como as pedras de um Templo, preparadas de antemão para a edificação. Como disse Santo Inácio, aquele de quem se diz que quando criança sentou-se no colo de Jesus, numa noável passagem de cunho maçônico: "Sois erguidos às alturas pelo instrumento de trabalho do Cristo - a Cruz - usando-se como corda o Espírito Santo e como guindaste a vossa fé, sendo o Amor o caminho que conduz ao Eterno!"

Pode o Apendiz sentir nessa lição a responsabilidade que lhe recai sobre os ombros. É, ainda, pedra rústica mas que traz dentro de si o esboço da pedra polida e angular sobre a qual se edificará o Homem Livre. Precisa, pois, refletir intensa e profundamente por que está neste mundo. O G:.A:.D:.U:. asim o quer, pois se não o quisesse ele aqui não estaria. Ele veio para o trabalho de construção do Templo do Grande Arquiteto, da morada da Fraternidade Eterna.

E para essa tarefa formidável, conforme ensinam as instruções do Primeiro Grau, ele tem os instrumentos de trabalho necessários colocados por milenar sabedoria nas mãos das três principais Luzes da Loja: A Régua de Vinte e Quatro Polegadas, o Maço e o Cinzel. Com a Régua, conhece a justa medida; com o Cinzel, sente; com o Maço, age com perfeição. Através do sábio emprego desses instrumentos de trabalho, que são uma representação simbólica da ordem e das forças inerentes à obra da Criação, o Aprendiz atingirá o estágio de Pedra Polida e pronta para o uso, do Homem liberto das paixões e dos preconceitos.

É necessário, ainda, que o Aprendiz reflita sobre o momento em que ouviu durante sua Iniciação: " No princípio do Mundo, disse o Grande Arquiteto do Universo, Faça-se a Luz!... e a Luz foi Feita!" E lhe foi dado ver a luz. Mas que luz foi essa? Aquela que rodeia os Irmãos em Loja e lhes ilumina os trabalhos, ou aquela que, emanada da suprema e eterna fonte o deverá orientar para a Verdade e a Retidão, para a consciência de que tem maior sentido e utilização no Plano Divino do que jamais poderia imaginar? Cristo não disse no Evangelho: "Conhecereis a Verdade e ela vos libertará!"?

Em um antigo ritual da Maçonaria, segundo se diz, trolhava-se um Irmão com a seguinte fórmula ritualística: "De onde vindes como Maçom? Do Ocidente! E para onde vos dirigis? Para o Oriente! E o que vos induziu a deixar o Ocidente e dirigir-vos para o Oriente? Buscar um Mestre e dele obter instrução!"

É aos Mestres, portanto, que o Aprendiz deve buscar, para se colocar sob as luzes de sua experiência e para que lhe seja ensinado a dar corretamente seus passos na Arte Real; e é fraternalmente que deve buscar essa instrução mas sem se esquecer que também deve, por si, aprofundar-se no estudo do Pensamento Divino, eis que as incontáveis galáxias, mundos e formas de vida do Universo nada mais são do que a materialização da Mente Cósmica.

Na Maçonaria aprende-se que os Rituais e Simbolismos trazem em seu bojo um sentido, um conceito. Cada Maçom é um peregrino em busca do Portão guardado pelo Querubim da Espada Flamígera como descrito no Livro da Lei Sagrada. Mas, ninguém o atingirá jamais se não se elevar acima do externo e do material, se não se desapegar do continente para mergulhar no conteúdo, se não tiver raiado dentro de si a exata compreensão da razão pela qual se encontra neste mundo.

Diz a sabedoria popular que "por respeito ao santo beija-se a imagem"; por respeito ao que significam reverenciamos nossos rituais e simbolismos mas é forçoso que desde os primeiros passos o Aprendiz os encare como um meio e não como um fim em si mesmos, para que não se torne mero repetidor de toques, sinais e palavras e sim um digno aspirante à Luz de onde veio e com a qual se refundirá um dia, num dos muitos caminhos do Tempo.

Finalmente, como verdadeiro Maçom, o Aprendiz deve manter seus olhos espirituais para além das Colunas do Templo, voltados para os níveis superiores onde domina a Verdade e nos quais todo Obreiro Livre anseia repousar ao terminar seu último trabalho.