NOVAS LOJAS DE MAÇONARIA ACEITAM INSCRIÇÕES ATÉ PELA INTERNET

Para revolta dos maçons tradicionais, novas organizações conquistam integrantes pela rede; principais ordens não reconhecem prática


 
Daniel Santini, do G1, em São Paulo
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Foi-se o tempo em que era necessário ser indicado por uma pessoa próxima para entrar na maçonaria, organização conhecida pela discrição e sigilo em práticas que vão desde apertos de mão secretos até rituais misteriosos.

Hoje, o interessado pode se tornar maçom pela internet, preenchendo uma ficha de inscrição e aguardando aprovação. A prática, defendida por ordens que não são reconhecidas pelas mais tradicionais, ganha força e incomoda.

“Isso pode ser qualquer coisa, mas não é maçonaria”, defende Luís Alberto Chaves, responsável pelo Museu Ariovaldo Vulcano, o museu da Grande Oriente do Brasil, uma das principais ordens do país. “A maçonaria depende de reconhecimento”, completa.

Rede mundial
Os maçons tradicionais estão reunidos em "lojas", que se agrupam em "potências", ordens que se reconhecem no mundo inteiro – um maçom brasileiro pode participar de rituais em outros países, bastando se identificar como tal com sinais, palavras e documentos de sua loja. Paralelo a organização oficial, porém, crescem as potências sem reconhecimento, que incluem lojas mistas e femininas. A maçonaria tradicional veta a participação de mulheres.

“Todas as lojas estão capitalizando novos afiliados pelo site. A forma mais antiga, mais tradicional é a apresentação, mas a internet tem sido importante”, explica a grã-mestra da Grande Loja dos Arquitetos de Aquário (Glada) Vera Facciolli, 61 anos, que defende o uso da rede de computadores com entusiasmo.

“Pessoas muito bem recomendadas já deram a maior zebra e outras que vieram pela internet viraram excelentes obreiros. Às vezes, a gente pensa que conhece uma pessoa e tem surpresas”, completa.

Ela ressalta que antes da aprovação, as propostas são analisadas. "Procuramos saber exatamente quem é para ter uma garantia de bons trabalhos." A taxa de iniciação da Glada, uma loja mista, é de R$ 750,00, valor restituído caso a inscrição não seja aceita.

Conectados
Se a inscrição pela internet gera polêmica, o uso da rede para a troca de informações é cada vez mais comum, mesmo entre os maçons tradicionais. “Todas as lojas têm sites, atualmente todos usam tecnologia. É um recurso que ajuda”, diz Marco Antônio Neves, 50, consultor de informática e maçom da Grande Loja do Estado de São Paulo (Glesp), uma das maiores entre as lojas oficiais.

Assim como na vida real, os sites têm áreas restritas, que exigem senhas para o acesso. Os maçons usam e-mails e trocam informações pela rede.